CST: Guia Completo da Situação Tributária
Índice do artigo
- Resumo Executivo
- O Que Você Vai Aprender
- O Que é CST?
- Por Que o CST É Importante?
- Cálculo dos Tributos
- Emissão da NF-e
- Escrituração Fiscal
- SPED Fiscal
- SPED Contribuições
- Sistemas ERP
- Onde o CST É Utilizado?
- CST do ICMS
- CST do IPI
- CST do PIS
- CST da COFINS
- Relação Entre NCM, CFOP e CST
- NCM
- CFOP
- CST
- Exemplo Prático
- Estrutura Geral do CST
- Origem da Mercadoria no CST do ICMS
- Como Interpretar um CST
- Principais CSTs do ICMS
- CST 00
- CST 10
- CST 20
- CST 30
- CST 40
- CST 41
- CST 50
- CST 51
- CST 60
- CST 70
- CST 90
- CST do IPI
- Principais CSTs do IPI
- Operações de Entrada
- Operações de Saída
- CST 50 do IPI
- CST 51 do IPI
- CST 52 do IPI
- CST 53 do IPI
- CST 55 do IPI
- CST do PIS
- Principais CSTs do PIS
- CST 01
- CST 04
- CST 06
- CST 07
- CST 08
- CST 09
- CST da COFINS
- Principais CSTs da COFINS
- Diferença Entre CST e CSOSN
- CST
- CSOSN
- Exemplo Prático
- Exemplos Práticos de CST
- Exemplo 1 — Venda Normal
- Exemplo 2 — Operação Isenta
- Exemplo 3 — Operação com Diferimento
- Exemplo 4 — Mercadoria Sujeita à ST
- Exemplo 5 — Produto Monofásico
- Como o CST Impacta os Tributos
- Impactos do CST na NF-e
- Como o CST Participa do XML
- Grupo do ICMS
- Grupo do IPI
- Grupo do PIS e COFINS
- Problemas Comuns Encontrados na NF-e
- CST de Isenção em Operação Tributada
- CST de ST Sem Mercadoria Sujeita à ST
- CST de PIS/COFINS Incompatível
- Impactos do CST no SPED Fiscal
- Cruzamentos Realizados Pelo Fisco
- Impactos do CST no SPED Contribuições
- Exemplos de Impactos
- Crédito Indevido
- Crédito Não Aproveitado
- Impactos do CST no ERP
- Motor Tributário
- Emissão de Documentos Fiscais
- Integrações
- Relatórios Gerenciais
- Visão do Consultor ERP
- Principais Erros Encontrados em Projetos ERP
- Utilizar Sempre o CST 00
- Confundir Isenção com Não Incidência
- Utilizar CST 60 em Qualquer Operação com ST
- Não Revisar Benefícios Fiscais
- Copiar Parametrizações Entre Empresas
- Checklist Operacional
- Produto
- Operação
- Tributação
- ERP
- Escrituração
- Como a Reforma Tributária Pode Impactar Este Tema
- Período de Transição
- Perguntas Frequentes (FAQ)
- O que significa CST?
- Todo CST possui três dígitos?
- O CST influencia o cálculo dos impostos?
- CST e CSOSN são a mesma coisa?
- O CST aparece na NF-e?
- Um CST incorreto pode gerar multa?
- O CST influencia o SPED?
- O CST pode mudar?
- Conclusão
- Fontes Oficiais
- Legislação e Normativos
- Órgãos Oficiais
- Documentação Técnica
- Artigos Relacionados
- Classificação Fiscal
- Tributação
- Reforma Tributária
CST: Guia Completo da Situação Tributária
Resumo Executivo
O CST é um dos elementos mais importantes da tributação brasileira.
Embora muitas vezes receba menos atenção do que a NCM ou o CFOP, o CST é o responsável por informar ao Fisco qual tratamento tributário está sendo aplicado a uma determinada operação.
Na prática, ele responde perguntas fundamentais:
- A operação é tributada?
- Existe isenção?
- Existe redução de base?
- Há diferimento?
- Existe Substituição Tributária?
- A operação possui suspensão?
- Há direito a crédito?
Sem o CST, os sistemas fiscais não conseguem interpretar corretamente a tributação aplicada à operação.
Por esse motivo, o CST participa diretamente:
- Da emissão da NF-e;
- Da apuração de impostos;
- Da geração do SPED Fiscal;
- Da geração do SPED Contribuições;
- Das integrações contábeis;
- Das parametrizações dos sistemas ERP.
Uma definição incorreta do CST pode provocar recolhimentos indevidos de tributos, geração incorreta de créditos fiscais, inconsistências em obrigações acessórias e autuações fiscais.
Por isso, compreender a lógica dos códigos CST é uma competência essencial para profissionais das áreas fiscal, contábil e tecnologia.
O Que Você Vai Aprender
Ao final deste artigo você será capaz de compreender:
- O que é CST;
- Para que ele serve;
- Como funciona sua estrutura;
- Como interpretar os códigos;
- Quais são os principais CSTs utilizados;
- Como o CST impacta a NF-e;
- Como influencia o SPED Fiscal;
- Como afeta o SPED Contribuições;
- Como impacta os sistemas ERP;
- Como evitar erros de parametrização;
- Como a Reforma Tributária pode impactar esse tema.
O Que é CST?
CST significa:
Código de Situação Tributária.
Trata-se de um código utilizado para identificar o tratamento tributário aplicado a uma operação fiscal.
De forma simples:
Enquanto a NCM identifica a mercadoria e o CFOP identifica a operação realizada, o CST informa como aquela operação será tributada.
Essa informação é utilizada pelos sistemas fiscais para interpretar corretamente a incidência dos tributos.
O CST pode indicar situações como:
- Tributação integral;
- Tributação com redução de base;
- Isenção;
- Não incidência;
- Suspensão;
- Diferimento;
- Substituição Tributária;
- Operações com direito a crédito;
- Operações sem direito a crédito.
Cada tributo possui sua própria tabela CST.
Por isso, o mesmo número pode possuir significados diferentes dependendo do contexto em que está sendo utilizado.
Por Que o CST É Importante?
O CST é um dos principais parâmetros utilizados pelos sistemas tributários.
Ele influencia diretamente diversas rotinas fiscais, contábeis e operacionais.
Cálculo dos Tributos
O sistema utiliza o CST para determinar:
- Se existe tributação;
- Qual base de cálculo utilizar;
- Se existe crédito fiscal;
- Se existe retenção;
- Se existe Substituição Tributária;
- Se há isenção, suspensão ou diferimento.
Uma parametrização incorreta pode alterar completamente o valor final dos impostos calculados.
Emissão da NF-e
O CST compõe os grupos tributários do XML.
Sem ele, a nota fiscal não consegue representar corretamente a tributação da operação.
Quando o CST está incorreto, o XML pode até ser autorizado, mas ainda assim carregar uma informação fiscal errada.
Escrituração Fiscal
As obrigações acessórias utilizam o CST para interpretar os valores informados pela empresa.
Isso significa que um erro na nota fiscal pode se refletir também no SPED Fiscal, no SPED Contribuições e nas apurações.
SPED Fiscal
Grande parte dos registros fiscais depende da correta utilização dos códigos CST.
O Fisco utiliza esses dados para cruzar informações entre documentos fiscais, apurações e escriturações.
SPED Contribuições
No caso do PIS e da COFINS, o CST possui papel fundamental na identificação da natureza da receita e dos créditos fiscais.
Um CST incorreto pode gerar tanto crédito indevido quanto perda de crédito legítimo.
Sistemas ERP
Os motores tributários dos ERP utilizam o CST como um dos principais critérios para cálculo dos tributos.
Por isso, não se trata apenas de um campo fiscal.
Trata-se de uma informação sistêmica que afeta faturamento, fiscal, contabilidade, controladoria, relatórios e integrações.
Onde o CST É Utilizado?
Uma dúvida muito comum é acreditar que existe apenas uma tabela CST.
Na realidade, cada tributo possui sua própria estrutura.
Os principais contextos são:
CST do ICMS
Utilizado para identificar a tributação das operações sujeitas ao ICMS.
É um dos CSTs mais conhecidos porque aparece com frequência na NF-e e no SPED Fiscal.
CST do IPI
Utilizado para identificar a tributação relacionada ao Imposto sobre Produtos Industrializados.
É especialmente relevante para indústrias, importadores e empresas equiparadas a industrial.
CST do PIS
Utilizado para identificar o tratamento tributário aplicado ao PIS.
Tem grande impacto no SPED Contribuições.
CST da COFINS
Utilizado para identificar o tratamento tributário aplicado à COFINS.
Normalmente é parametrizado em conjunto com o CST do PIS, mas deve ser analisado com cuidado.
Relação Entre NCM, CFOP e CST
Esses três elementos formam a base da tributação nas operações fiscais.
NCM
Responde:
O que é a mercadoria?
Exemplo:
6404.11.00A NCM identifica a classificação fiscal do produto.
CFOP
Responde:
O que está acontecendo com a mercadoria?
Exemplo:
5102O CFOP identifica a natureza da operação.
CST
Responde:
Como essa operação será tributada?
Exemplo:
00O CST identifica o tratamento tributário da operação.
Exemplo Prático
Produto:
Tênis esportivoNCM:
6404.11.00Operação:
Venda internaCFOP:
5102Tributação:
Tributada integralmenteCST:
00Essa combinação é utilizada pelos ERP para determinar os cálculos tributários da operação.
Estrutura Geral do CST
Embora cada tributo possua regras específicas, a lógica é semelhante.
O objetivo sempre é identificar o tratamento tributário aplicado à operação.
No caso do ICMS, o CST possui três dígitos.
O primeiro identifica a origem da mercadoria.
Os dois últimos identificam a tributação da operação.
Exemplo:
000Interpretação:
0 = Mercadoria nacional
00 = Tributada integralmenteOrigem da Mercadoria no CST do ICMS
O primeiro dígito do CST do ICMS informa a origem da mercadoria.
Essas informações são importantes principalmente para operações interestaduais e para aplicação das regras relacionadas ao conteúdo de importação.
Como Interpretar um CST
Exemplo:
060Interpretação:
0 = Mercadoria nacional
60 = ICMS cobrado anteriormente por Substituição TributáriaOutro exemplo:
051Interpretação:
0 = Mercadoria nacional
51 = DiferimentoA leitura correta do CST é fundamental para compreender o tratamento tributário da operação.
Principais CSTs do ICMS
Os códigos abaixo representam a maior parte das operações encontradas no dia a dia das empresas.
CST 00
Representa operações tributadas integralmente.
É um dos CSTs mais utilizados no mercado.
Exemplo:
Venda normal sem benefício fiscal.
CST 10
Representa operação tributada e com cobrança de ICMS por Substituição Tributária.
É comum em operações realizadas por contribuintes substitutos.
CST 20
Representa operações com redução de base de cálculo.
Muito comum em segmentos beneficiados por incentivos fiscais estaduais.
CST 30
Representa operação isenta ou não tributada, mas com cobrança de ICMS-ST.
É um código que exige atenção porque combina ausência de tributação própria com cobrança por substituição.
CST 40
Representa operações isentas.
A isenção depende de previsão legal específica.
CST 41
Representa operações não tributadas.
Embora muitos usuários confundam com isenção, trata-se de situações juridicamente distintas.
CST 50
Representa operações com suspensão.
Nesse caso, a exigência do imposto fica suspensa conforme hipótese prevista na legislação.
CST 51
Representa operações com diferimento.
Nesse caso, o recolhimento do imposto ocorre em momento posterior da cadeia.
CST 60
Representa operações nas quais o ICMS já foi recolhido anteriormente por meio da Substituição Tributária.
É extremamente comum em segmentos como:
- Autopeças;
- Bebidas;
- Cosméticos;
- Materiais de construção.
CST 70
Representa operação com redução de base de cálculo e cobrança de ICMS-ST.
É uma combinação mais complexa e exige parametrização cuidadosa.
CST 90
Representa outras situações.
Deve ser utilizado com cautela, pois o uso excessivo pode indicar parametrização genérica demais.
CST do IPI
Assim como ocorre com o ICMS, o IPI possui sua própria tabela CST.
O objetivo é identificar o tratamento tributário aplicado à operação perante o Imposto sobre Produtos Industrializados.
É importante destacar que os códigos CST do IPI não possuem o mesmo significado dos códigos utilizados pelo ICMS.
Por esse motivo, um mesmo número pode representar situações completamente diferentes dependendo do tributo analisado.
Principais CSTs do IPI
Operações de Entrada
Operações de Saída
CST 50 do IPI
Representa operações normalmente tributadas pelo IPI.
Exemplo:
Uma indústria fabricante de móveis realiza a venda de um produto industrializado.
CST 51 do IPI
Representa operações tributadas com alíquota zero.
Embora exista incidência do tributo, a alíquota aplicável é igual a zero.
CST 52 do IPI
Representa operações isentas.
A isenção deve possuir previsão legal específica.
CST 53 do IPI
Representa operações não tributadas.
Nesses casos, não existe incidência do imposto.
CST 55 do IPI
Representa operações com suspensão.
O recolhimento do imposto ocorre posteriormente ou em condições previstas na legislação.
CST do PIS
O PIS utiliza uma tabela própria de CST.
Esses códigos são fundamentais para determinar:
- Incidência da contribuição;
- Direito ao crédito;
- Natureza da receita;
- Regime de tributação.
A correta parametrização desses códigos é essencial para a geração do SPED Contribuições.
Principais CSTs do PIS
CST 01
Representa operações tributadas normalmente.
É um dos códigos mais utilizados por empresas enquadradas no Lucro Real e Lucro Presumido.
CST 04
Representa operações sujeitas ao regime monofásico.
Muito comum em segmentos como:
- Combustíveis;
- Medicamentos;
- Cosméticos;
- Bebidas.
Nesse regime, a tributação ocorre concentradamente em etapas específicas da cadeia.
CST 06
Representa operações com alíquota zero.
A operação continua existindo para fins tributários, porém sem recolhimento da contribuição.
CST 07
Representa operações isentas.
A isenção depende de previsão legal.
CST 08
Representa operações sem incidência.
Situação diferente da isenção.
Embora muitos usuários confundam os conceitos, possuem fundamentos jurídicos distintos.
CST 09
Representa operações com suspensão.
O recolhimento da contribuição ocorre posteriormente ou em situações específicas previstas na legislação.
CST da COFINS
A tabela CST da COFINS possui estrutura praticamente idêntica à utilizada pelo PIS.
Na prática, os códigos são normalmente parametrizados em conjunto.
Principais CSTs da COFINS
Diferença Entre CST e CSOSN
Uma das dúvidas mais frequentes entre usuários de ERP é a diferença entre CST e CSOSN.
Embora ambos identifiquem situações tributárias, eles pertencem a regimes tributários diferentes.
CST
Utilizado principalmente por empresas enquadradas em:
- Lucro Real;
- Lucro Presumido;
- Regimes especiais.
CSOSN
Utilizado exclusivamente por empresas optantes pelo:
- Simples Nacional.
Exemplo Prático
Empresa do Lucro Presumido:
CST 00Empresa do Simples Nacional:
CSOSN 102Ambos representam situações tributárias válidas.
Porém pertencem a tabelas distintas.
Exemplos Práticos de CST
Exemplo 1 — Venda Normal
Empresa do Lucro Presumido.
Mercadoria nacional.
Sem benefício fiscal.
CST:
000Exemplo 2 — Operação Isenta
Mercadoria contemplada por benefício fiscal.
CST:
040Exemplo 3 — Operação com Diferimento
O recolhimento ocorrerá em etapa posterior.
CST:
051Exemplo 4 — Mercadoria Sujeita à ST
O ICMS já foi recolhido anteriormente.
CST:
060Exemplo 5 — Produto Monofásico
Operação sujeita ao regime monofásico de PIS e COFINS.
CST:
04Como o CST Impacta os Tributos
O CST é um dos principais parâmetros utilizados pelos motores tributários dos ERP.
Ele influencia diretamente:
- ICMS;
- ICMS-ST;
- IPI;
- PIS;
- COFINS;
- DIFAL;
- Créditos fiscais;
- Benefícios fiscais.
Uma parametrização incorreta pode provocar cálculos errados em milhares de operações.
Impactos do CST na NF-e
O CST é uma das informações mais relevantes da Nota Fiscal Eletrônica.
Ele faz parte do XML da NF-e e é utilizado pela SEFAZ para interpretar a tributação aplicada à operação.
Na prática, o CST influencia:
- Destaque dos tributos;
- Cálculo dos impostos;
- Validações fiscais;
- Escrituração eletrônica;
- Obrigações acessórias.
Um CST incorreto pode fazer com que a nota fiscal represente uma realidade tributária diferente daquela efetivamente praticada pela empresa.
Como o CST Participa do XML
Quando uma NF-e é emitida, o ERP utiliza o CST para montar os grupos tributários.
Grupo do ICMS
Define:
- Tributação normal;
- Redução de base;
- Isenção;
- Diferimento;
- Substituição Tributária.
Grupo do IPI
Define:
- Incidência;
- Isenção;
- Suspensão;
- Alíquota zero.
Grupo do PIS e COFINS
Define:
- Regime tributário;
- Direito a crédito;
- Monofasia;
- Alíquota zero;
- Suspensão.
Problemas Comuns Encontrados na NF-e
CST de Isenção em Operação Tributada
Exemplo:
040utilizado em uma operação que deveria utilizar:
000Consequências:
- Imposto não destacado;
- Escrituração incorreta;
- Risco fiscal elevado.
CST de ST Sem Mercadoria Sujeita à ST
Exemplo:
060utilizado para produtos sem enquadramento em Substituição Tributária.
Consequências:
- Cálculos incorretos;
- Divergências em auditorias fiscais.
CST de PIS/COFINS Incompatível
Muito comum em produtos monofásicos.
O resultado normalmente é:
- Crédito indevido;
- Débito incorreto;
- Problemas no SPED Contribuições.
Impactos do CST no SPED Fiscal
O SPED Fiscal utiliza o CST para interpretar a tributação aplicada às operações registradas pela empresa.
Ele influencia diretamente:
- Livros fiscais;
- Apuração de ICMS;
- Apuração de ICMS-ST;
- Créditos fiscais;
- Débitos fiscais;
- Cruzamentos eletrônicos.
Por esse motivo, inconsistências relacionadas ao CST costumam ser identificadas rapidamente pelos órgãos fiscalizadores.
Cruzamentos Realizados Pelo Fisco
O Fisco compara:
- XML da NF-e;
- SPED Fiscal;
- SPED Contribuições;
- Escrituração contábil;
- Apuração dos tributos.
Quando o CST informado não é compatível com os demais dados da operação, surgem divergências facilmente identificáveis pelos sistemas de auditoria.
Impactos do CST no SPED Contribuições
No caso do PIS e da COFINS, o CST possui papel ainda mais relevante.
Ele determina:
- Direito ao crédito;
- Natureza da receita;
- Regime de incidência;
- Forma de tributação.
Uma parametrização incorreta pode gerar diferenças significativas na apuração das contribuições.
Exemplos de Impactos
Crédito Indevido
Utilização incorreta de CST que permite crédito.
Consequência:
- Recolhimento menor do tributo;
- Exposição a autuações.
Crédito Não Aproveitado
Utilização incorreta de CST sem direito a crédito.
Consequência:
- Pagamento maior do que o devido.
Impactos do CST no ERP
Poucos campos possuem tanta influência sobre os cálculos tributários quanto o CST.
Em sistemas ERP, ele participa diretamente de praticamente todas as rotinas fiscais.
Motor Tributário
O CST é utilizado para determinar:
- ICMS;
- ICMS-ST;
- IPI;
- PIS;
- COFINS;
- DIFAL.
Sem ele, o sistema não consegue identificar corretamente a tributação aplicável.
Emissão de Documentos Fiscais
A geração do XML depende da correta parametrização do CST.
Uma configuração incorreta pode provocar:
- XML inconsistente;
- Escrituração incorreta;
- Apuração errada dos tributos.
Integrações
O CST influencia integrações com:
- SPED Fiscal;
- SPED Contribuições;
- Contabilidade;
- Sistemas de BI;
- Plataformas fiscais.
Relatórios Gerenciais
Muitos relatórios utilizam o CST para segmentar operações.
Exemplos:
- Operações tributadas;
- Operações isentas;
- Operações com ST;
- Operações diferidas.
Visão do Consultor ERP
Ao longo dos anos trabalhando com implantação e suporte ERP, percebi que o CST é uma das parametrizações mais negligenciadas pelas empresas.
Muitas organizações focam apenas em:
- Cadastro de produtos;
- Cadastro de clientes;
- Regras de faturamento.
Porém ignoram a correta configuração tributária.
O problema é que o CST influencia diretamente os cálculos fiscais.
Entre os problemas mais encontrados em projetos ERP estão:
- Parametrizações copiadas de outros clientes;
- CSTs configurados sem validação fiscal;
- Regras antigas nunca revisadas;
- Falta de documentação tributária.
Quando isso acontece, o sistema passa a reproduzir erros tributários em larga escala.
Principais Erros Encontrados em Projetos ERP
Utilizar Sempre o CST 00
Erro extremamente comum.
Nem toda operação é tributada integralmente.
Confundir Isenção com Não Incidência
Muitos usuários utilizam:
40quando deveriam utilizar:
41Embora pareçam semelhantes, possuem significados jurídicos diferentes.
Utilizar CST 60 em Qualquer Operação com ST
O CST depende da operação realizada.
Nem toda movimentação envolvendo mercadorias sujeitas à ST utiliza CST 60.
Não Revisar Benefícios Fiscais
Alterações legislativas podem exigir mudanças nos códigos utilizados.
Copiar Parametrizações Entre Empresas
Cada empresa possui:
- Produtos diferentes;
- Benefícios fiscais diferentes;
- Operações diferentes.
Copiar regras sem análise costuma gerar inconsistências.
Checklist Operacional
Antes de validar um CST, verifique:
Produto
- NCM correta?
- Produto sujeito à ST?
- Existe benefício fiscal?
Operação
- Venda?
- Compra?
- Transferência?
- Devolução?
- Exportação?
Tributação
- ICMS validado?
- IPI validado?
- PIS validado?
- COFINS validado?
ERP
- Regra tributária revisada?
- Integrações testadas?
- XML validado?
Escrituração
- SPED Fiscal consistente?
- SPED Contribuições consistente?
Como a Reforma Tributária Pode Impactar Este Tema
Uma das dúvidas mais frequentes atualmente é:
O CST continuará existindo após a Reforma Tributária?
A resposta é:
Provavelmente haverá adaptações significativas.
O CST foi concebido para atender ao modelo tributário atual.
Com a implementação do IBS e da CBS, novas estruturas deverão surgir para representar os tratamentos tributários dos novos tributos.
Período de Transição
Durante a transição, os sistemas ERP precisarão conviver simultaneamente com:
- ICMS;
- ICMS-ST;
- IPI;
- PIS;
- COFINS;
- IBS;
- CBS.
Isso exigirá revisões importantes nas parametrizações fiscais.
Perguntas Frequentes (FAQ)
O que significa CST?
CST significa Código de Situação Tributária.
Todo CST possui três dígitos?
Não.
No ICMS normalmente utiliza-se estrutura de três dígitos.
No IPI, PIS e COFINS existem tabelas próprias.
O CST influencia o cálculo dos impostos?
Sim.
Ele é um dos principais parâmetros utilizados pelos motores tributários.
CST e CSOSN são a mesma coisa?
Não.
O CST é utilizado principalmente por empresas do Lucro Real e Lucro Presumido.
O CSOSN é utilizado por empresas do Simples Nacional.
O CST aparece na NF-e?
Sim.
É uma informação obrigatória do XML.
Um CST incorreto pode gerar multa?
Sim.
Principalmente quando impacta a apuração dos tributos.
O CST influencia o SPED?
Sim.
Diretamente.
O CST pode mudar?
Sim.
Mudanças legislativas e alterações de enquadramento tributário podem exigir revisão periódica dos códigos utilizados.
Conclusão
O CST é um dos componentes mais importantes da tributação brasileira.
Mais do que um simples código presente na NF-e, ele representa o tratamento tributário aplicado à operação.
Sua correta utilização influencia diretamente:
- Apuração dos tributos;
- Escrituração fiscal;
- Obrigações acessórias;
- SPED Fiscal;
- SPED Contribuições;
- Sistemas ERP.
Empresas que tratam o CST como parte estratégica de sua governança tributária tendem a possuir processos mais seguros, consistentes e preparados para fiscalizações.
Fontes Oficiais
Legislação e Normativos
- Convênio SINIEF
- Ajuste SINIEF
- Regulamentos do ICMS
Órgãos Oficiais
- Receita Federal do Brasil
- CONFAZ
- Secretarias Estaduais da Fazenda
Documentação Técnica
- Manual de Orientação do Contribuinte da NF-e
- Guia Prático EFD ICMS/IPI
- Guia Prático EFD Contribuições
Artigos Relacionados
Classificação Fiscal
- CFOP: Guia Completo Para Entender a Natureza das Operações Fiscais
- NCM: Guia Completo da Nomenclatura Comum do Mercosul
- CSOSN: Guia Completo Para Empresas do Simples Nacional
Tributação
- ICMS: Guia Completo Para Empresas, NF-e e ERP
- ICMS-ST: Guia Completo da Substituição Tributária
- IPI: Guia Completo do Imposto sobre Produtos Industrializados
- PIS: Guia Completo da Contribuição ao Programa de Integração Social
- COFINS: Guia Completo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social
Reforma Tributária
- Reforma Tributária: Guia Completo Sobre IBS e CBS
- IBS: Guia Completo do Imposto sobre Bens e Serviços
- CBS: Guia Completo da Contribuição sobre Bens e Serviços